CAMISA DE VÊNUS

C A M I S A

D E

V Ê N U S

 

Formada por integrantes que eram rockers de carteirinha, fãs de Rush, Led Zeppelin e Elvis, o Camisa de Venus, uma autêntica banda de rock nacional, surgiu em Salvador no início da década de 80, quando Marcelo Nova e Robério Santana, que trabalhavam juntos numa emissora de rádio e TV de Aratu, perceberam uma grande afinidade de idéias.

Só que eles precisavam de mais integrantes, os quais foram selecionados na base de convites. Robério que seria o guitarrista convidou Karl Franz Hummel para tocar baixo que por sua vez convidou Gustavo Adolpho Souza Mullen parar assumir o controle da bateria.

A banda ainda não tinha nome quando fizeram as primeiras apresentações, em uma platéia formada apenas por amigos. Como todos que iam a essas apresentações reclamavam do som da banda, dizendo que era barulhento e incômodo, Marcelo Nova decide chama-la de Camisa de Venus, por considerar a camisinha realmente um grande estorvo.

Com o novo nome, a primeira apresentação foi em 1982 com a participação de um quinto integrante, o guitarrista Eugênio, que participaria de apenas dois shows.

Ainda em 82, Gustavo Mullen que se dizia cansado de ter que montar, desmontar e carregar a bateria, convida Aldo Pereira Machado para toca-la em seu lugar, Gustavo então, assume a posição de Eugênio ficando com a segunda guitarra.

Esta seria a formação que se seguiria por muitos anos da, como eles próprios se denominavam: "A única banda heterossexual do planeta".

Tendo a sonoridade bastante influenciada pelo rock inglês dos anos 70 e também pelas preferências musicais de Marcelo Nova, que eram Little Richards e Chuck Berry, lançaram seu primeiro compacto ainda em 82 com as músicas: "Controle Total" e "Meu Primo Zé", depois do sucesso de uma fita demo que continha a versão da música "Total Control" do The Clash.

No ano seguinte, em 83, já com uma posição definida no cenário musical de Salvador, é lançado o primeiro álbum, auto-intitulado.

Alguns meses depois do lançamento, surgem pressões por parte da gravadora que sugeriu que a banda muda-se de nome, argumentando que com o nome de Camisa de Venus ficava difícil fazer uma boa divulgação.

Mesmo com os produtores ameaçando tirar o disco de catálogo e acabar com a banda, Marcelo Nova e seus companheiros não aceitaram, porque acharam que se dessem liberdade pra gravadora manipular o nome, mais tarde manipulariam a sonoridade e as letras.

O contrato é rompido e eles passam a fazer somente trabalho de palco. Só iriam entrar em estúdio novamente em 1984, para a gravação do segundo disco "Batalhões de Estranhos", que contava com uma sonoridade melhor e mais trabalhada resultado dos dois anos de experiência.

É neste disco que estão as músicas "Beth Morreu" e "Eu não matei Joana D’arc", esse talvez um dos maiores sucessos do Camisa de Venus e que já caracterizava todo o lado humorístico e sarcástico da banda, e traziam embutidos também o cotidiano e a postura de seus integrantes.

Marcelo Nova, o grande mentor e líder da banda, costumava dizer que o texto do Camisa era debochado, cínico e escroto e que em geral a banda era um mata-borrão sonoro com textos que fugiam a realidade musical na época Marcelo Nova era o motor do Camisa, mas cada um dos componentes tinha autonomia no seu instrumento. Marcelo compunha junto com Karl ou Gustavo, que ajudavam a dar a forma musical às idéias do Marcelo, junto com Robério e Aldo Pereira.

O sucesso parecia inevitável, já que a banda alcançava grandes vendas e o público lotava cada vez mais as casas de shows, mas ocorre uma não aceitação da mídia em geral que estava acostumada a trabalhar apenas com músicas de grande apelo comercial.

Em 1985 é lançado "EP Remix", um mix promocional. Em 86, quando o rock nacional estava no seu auge, o Camisa fortalece sua postura lançando o que seria o primeiro disco ao vivo de uma banda nacional. Intitulado de "Viva", suas características ficam por conta de ter incluído problemas técnicos e tudo o que continha num show, já que não foi submetido a nenhum tipo de censura. Esse disco mostrava também que a banda continuava fiel ao seu público, não se deixando levar por modismos e tendências.

Mesmo desamparados pela mídia, porque a banda estava dando um pontapé na canela de um esquema que não estava acostumado a levar nenhum beliscão, continuavam levando cada vez mais pessoas para os shows.

O primeiro contato com Raul Seixas acontece nessa época, quando certa vez, o Camisa estava tocando no Circo Voador e Raul foi ver. Marcelo, que conhecia Raul apenas de alguns shows que tinha ido assistir na época de Raul e Seus Panteras, o chamou para o palco e eles tocaram, na base do improviso, um medley de rock ‘n roll misturando "Long Tall Sally" com "Be-Bop-A-Lu-La" e "Tutti Frutti". Marcelo ficou tão emocionado que não conseguia cantar nada, ficou só olhando.

Outros dois grandes sucessos da banda "Só o fim" e "Simca Chambord" , vem juntos com o quarto disco: "Correndo o Risco".

A música "Simca Chambord", junta fragmentos dos anos 60, falando dos jipes e tanques que acabaram com toda a classe média. Neste disco está também o grande sucesso "Silvia", música que, segundo o próprio Marcelo, era uma brincadeira de ensaio que eles acabaram levando pro show e na mesma hora o público criou o coro: 'piranha'.

A polêmica faixa "A Ferro e Fogo" que é tocada por uma orquestra, causou grande alarme na mídia, pois rotulavam o Camisa como uma autêntica banda punk baiana. Ainda neste disco está a música Ouro de tolo, que foi a primeira música de Raul Seixas gravada por Marcelo Nova.

Em 1987 sai o quinto trabalho da banda, o disco Duplo Sentido, sendo assim este o último com a formação original. Neste álbum esta contida a música "Muita Estrela, Pouca Constelação", era o primeira parceria entre Marcelo Nova e Raul Seixas.

Com os sucessos radiofônicos de clássicos como Lena, Hoje, Eu Não Matei Joana Darc, Rosto e Aeroportos, Rotina, Só o fim, Simca Chambord, Deus Me De Grana, Muita Estrela Pouca Constelação e Canalha, a banda continuava a todo vapor e o impacto causado por eles em Salvador nos anos 80 só tinha paralelo aquele proporcionado por Raulzito e seus Panteras nos anos 60. O que mudou foi apenas o modo de expressão, já que o som era muito parecido.

Já bastante envolvido em novos projetos com Raul, inclusive do disco Panela do Diabo que seria lançado em 1989, Marceleza, como costumava ser chamado por Raul, deixa a banda e ai se dá o fim do Camisa de Vênus.

Anos mais tarde, mais precisamente em 1995, Karl Hummel após ver na TV um comentarista dizer que o "Skank era a nova sensação do Rock nacional", toma a iniciativa e liga para Marcelo dizendo que estava na hora do Camisinha voltar.

Com uma formação diferente, já que Gustavo Mullen tinha projetos de tocar com Jonh Paul Jones, a banda volta inicialmente fazendo apenas shows esporádicos pelo Brasil afora, e depois de constatar que o público continuava fiel, perceberam que já era hora de lançar um novo disco e nesse mesmo ano é gravado ao vivo no Aeroanta em São Paulo, o álbum Plugado.

Neste disco estão antigos grandes sucessos aliados a algumas novas canções, como por exemplo "Cidade Bunda" e pela primeira vez em disco a faixa "Bota pra Fudê", que era mais uma das criações do público.

No final do ano seguinte, em 1996, com Marcelo Nova nos vocais, Karl Hummel na guitarra, Robério Santana no baixo, Luiz Sérgio Carlini na outra guitarra, Franklin Paolilli na bateria e, no piano Carlos Alberto Calazans, surge o que seria em definitivo (será??) o último trabalho do Camisa de Venus, o disco "Quem é Você?".

Com participação especial dos Raimundos e na faixa "Don’t Let Be Me Misunderstood" Eric Burdon divide os vocais com Marcelo Nova.

Esta é a história de uma autêntica banda de rock nacional. Uma banda que nunca teve e não tem o reconhecimento merecido pela mídia. Eles lutaram contra o conformismo, sempre mostrando sua postura crítica perante a política e a sociedade.

Um rock ‘n roll puro que mistura elementos da sonoridade de Little Richards e Chuck Berry com rock inglês dos anos 70. Um som contagiante, alegre, bem humorado e ao mesmo tempo crítico e a possibilidade da banda voltar um dia ainda não foi descartada por Marcelo Nova, que segundo suas próprias declarações, eles podem apenas estar dando um tempo.

Camisa de Venus é discoteca básica, essencial, um som sem lubrificante como no rock fuleiro que se pratica hoje. São Paulo já sabia. Mas o resto do Brasil só foi aprender a pegar mesmo com Meu Primo Zé, Bete Morreu e outras obras primas do disco de estréia do grupo de Marcelo Nova. Este é, no mínimo, o melhor punk rock já feito neste país.

O Camisa de Venus foi expulso da gravadora Som Livre após o primeiro disco por que não quis mudar seu nome, que a gravadora considerava "difícil" de ser divulgado.

Em 1993, durante a primeira passagem do lendário guitarrista Chuck Berry pelo Brasil, Marcelo Nova emprestou sua guitarra para a lenda viva. Esta guitarra pode ser conferida na capa do primeiro disco solo do Marcelo Nova (Marcelo Nova e a Envergadura Moral). Na época Marcelo Nova afirmou todo prosa - - Não é para qualquer um, é para Chuck, e se é para Chuck, eu empresto.

O cantor Marcelo Nova apresentou durante 1997 o programa Let's Rock, na rádio Transamérica, em rede nacional, Como seu programa destoava da programação dance popular da rádio, na primeira "reformulação" da programação eliminaram o Marceleza do ar.

A música Silvia foi incluída na trilha sonora da montagem teatral de Os Cafajestes, do diretor Fernando Guerreiro. A referida peça tetral teatral do machismo na sociedade brasileira.

"Rock´n´roll mesmo era Camisa de Venus, o RPM e o Legião. O Camisa de Vênus tinha aquela coisa beira de estrada, o RPM era brega sem querer e a gente, era e é de propósito."
(Renato Russo)

"Camisa de Venus é muito bom. Eu sempre gostei. Nego me chamava de peão, mas eu me amarrava. "
(Rodolfo, dos Raimundos)

"A turminha nova não prega a ortodoxia, o legado de Raul Seixas e do gênio da nação roqueira, Marcelo Nova. Os dois rezaram pelo breviário da rejeição de toda e qualquer manifestação nacional. Raulzito odiava o Olodum e o samba. Marcelo continua com o pé na tábua, apesar de ser autor da mais nacional das bandas, Camisa de Vênus. Mas o pessoal anos 90 gosta mesmo é de batucada. "
(Luís Antônio Giron, jornalista, colaborador da revista Showbizz)

"Eu gosto do Chico Science, gosto de Raimundos, Ratos de Porão, Raul Seixas, Camisa de Venus, o primeiro disco deles é muito legal, Pavilhão Nove, Câmbio Negro, Dorsal Atlântica, Egberto Gismonti.... Do resto eu não conheço muito. "
(Max Cavalera, do Soulfly)

"Eles eram muito intuitivo ao tocar, as coisas iam se ajeitando facilmente. Marcelo tinha a visão de mercado, de atender ao publico nas expectativa de que recado que o Camisa ia mandar. Sempre botando pra fuder, essa era a lei. O Camisa não queria ser acessível, queria era incomodar, e sempre conseguia."
(Pena Schimidt, Produtor do Camisa de Venus durante muitos anos)

"O Camisa sempre foi uma banda meio deslocada no meio, sem muita badalação, sem lobby. O publico amava, mas a critica e a mídia morria de medo do Marcelo e sua trombeta dos infernos."
(Pena Schimidt, sobre a não-aceitação da midia)

"Reza a lenda que André Midani (Diretor da Warner) entrou no camarim depois de um show e perguntou o que precisava para ele contratar aquele insulto. Foi a conta para eles perceberem que teriam uma gravadora compatível. André me encaminhou para produzir um disco ao vivo, que iria terminar o contrato com a RGE. Ficamos juntos ate o fim da banda e nos dois primeiros discos de Marcelo."
(Pena Schimidt, dizendo o que o levou a trabalhar com o Camisa de Venus)

"Nasci em Nova York, mas fui criado no Texas. Meu pai tocava guitarra e gostava muito de música, de todos os gêneros, do clássico ao jazz, passando, naturalmente, pelo blues. Aprendi, portanto, a gostar de tudo e misturar influências da country music com bluegrass, ragtime e folk. Aliás, gosto muito de música brasileira. Minha intérprete preferida é Helena Meirelles, mas tenho grande admiração por músicos brasileiros como Marcelo Nova e Nuno Mindelis. "
(Steve James, guitarrista acústico americano)

"Eu tava em casa, o telefone tocou, era o Karl Hummel. Ele me disse: "Bicho, liguei a televisão e o apresentador disse que a maior sensação do rock é o Skank. A gente precisa voltar, cara. (risos)""
(Marcelo Nova, explicando a sua volta ao Camisa de Venus)

"O dinheiro nunca foi fator primordial pra minha carreira. Precisar de grana todo mundo precisa. Mas vivo há quinze anos de música, nunca fui a sensação do verão e de Nova só tenho o nome."
(Marcelo Nova)

"Genival Lacerda. Ele é espontâneo como o Jerry Lee Lewis e autêntico como o Chuck Berry."
(Marcelo Nova, respondendo a pergunta de quem era o maior roqueiro do Brasil)

"Quando ele era vivo era chamado de inconveniente. Raul morreu e o que era ofensivo passou a ser "curioso" e "maluquice beleza". Só que o Raul não está mais aqui pra mijar no pódio dos cachorros de raça, como costumava fazer."
(Marcelo Nova, falando sobre as homenagens feitas a Raul Seixas)

"O que eu ia fazer lá? Não curto samba, não bebo cerveja nem gosto de travesti. Sou um cara das antigas, respeito a tradição dos rockers."
(Marcelo Nova, dizendo porque não foi ao desfile da escola de samba que fez homenagem a Raul Seixas)

"Eu não entendo bem qual é a ligação do Raul com uma escola de samba. Passei um carnaval com ele e me lembro de que ele preferiu ficar trancado em casa por quatro dias, ouvindo Elvis Presley. Não dá pra entender como o cerne da obra do cara, o questionamento de tudo e de todos, acabou perdido em algum ponto."
(Marcelo Nova, ainda sobre a escola de samba)

"ACM é uma figura. Nos anos 70, eu tava fumando um baseado. Aí ele chegou num opala e ficou bem do meu lado. Eu gritei: "Diga, meu governador!" Rapaz, ele saiu da janela do carro, juntou as duas mãos e ficou fazendo gestos de vitória. Como a vaidade humana é extraordinária. (risos)"
(Marcelo Nova, dizendo o que achava de Antônio Carlos Magalhães)

"Na verdade, eu sempre fui um cara bem-humorado. Mas algumas coisas não dá pra levar a sério, como essas bandas que pretendem fazer "rock de vanguarda"."
(Marcelo Nova)

"A gente ficou oito anos sem gravar, quem sabe não ficamos outro tempo e voltamos? O Camisa é nosso patrimônio"
(Marcelo Nova, falando sobre uma possível volta do Camisa de Venus)

"Eu não tenho imóvel, não tenho carro. Tenho discos. Não gosto de forró. Gosto de Genival Lacerda. Porque é escroto e me cita."
(Marcelo Nova)

"Depois que o Raul morreu, as pessoas resolveram me eleger seu herdeiro. Cansei de ser chamado para homenagens e shows em que eu seria o mestre-de-cerimônias. Nunca participei de coisas desse tipo. E antes dele morrer, não importa em que lugar do Brasil estivéssemos eramos o porra-louca do Marcelo Nova e o cachaceiro do Raul."
(Marcelo Nova)

"Prefiro fazer o primeiro show, pois fico livre logo de ouvir os outros grupos. Tenho mais o que fazer em casa: é aniversário da minha mulher."
(Marcelo Nova, sobre um show que faria junto com Barão Vermelho e Kid Abelha)

"Não tenho nenhuma identificação com a música, o visual e o comportamento do baiano."
(Marcelo Nova)

"O Kurt Cobain faz falta pra filha dele! Quando ele deu um tiro na cabeça não deu pra congelar a imagem e transformá-la em símbolo de rebeldia"
(Marcelo Nova)

"Não teve artista no enterro de Raul Seixas. Nós sempre estivemos à margem e carregávamos isso com muito orgulho, por não fazer parte dessa corja, dessa panelinha, desse oba-oba, desse puxa-saquismo, dessa coisa de "profissionalismo" institucionalizado, que obriga você a ser gentil, cortês, educado para receber favores em troca de seu "bom comportamento". A gente nunca se submeteu a este tipo de postura. Isso é romântico, caramba! Fizemos cinqüenta shows, fomos assistidos por duzentas mil pessoas e não tivemos uma matéria na Rede Globo. Mas as casas, os auditórios estavam sempre cheios de pessoas para ouvir o que tínhamos a dizer. Então, este orgulho romântico, ingênuo, se justifica na medida em que nós conseguimos usar a espada de Ivanhoé contra o raio laser do sistema. A gente não queria conquistar o mundo, sabíamos de nossas limitações e do nosso lugar. Isso também é muito importante, porque a coisa do sucesso nunca embriagou Raul. Ele se embriagava, mas não de sucesso... E nem embriagou a mim."
(Marcelo Nova)

Um artista que, em vida, fazia questão de polemizar e desprezar o insosso "novo rock brasileiro" e por ele era ignorado. Agora, quase três anos após sua morte, alguns dos "artistas" que o "homenageiam" mal conhecem o trabalho dele, mas parecem "topar tudo" por dinheiro. Não se deixe enganar e vá ao original.
(Marcelo Nova, sobre Raul Seixas)

"Eu e Raulzito estávamos absolutamente desiludidos com este país. Por exemplo, nós fomos fazer um entrevista no Jô Soares Onze e Meia e fui censurado pelo Sr. Jô Soares porque citei nomes de pessoas da Rede Globo que queriam acabar com o Camisa de Vênus. Hoje, o Camisa é uma banda extinta, mas, naquela época, a gente estava dando um pontapé na canela de um esquema que não estava habituado a levar sequer um beliscão. E a gente quem era? Cinco baianos que foram de ônibus da viação São Geraldo para São Paulo e comiam sanduíche no almoço! Eu falei na entrevista que o Camisa de Vênus era um nome proibido, que foi proposta a mudança de nome da banda, que o Sr. Heleno de Oliveira e o Sr. João Araújo decidiram tirar o nosso disco de catálogo e nos mandaram embora, e o Sr. Jô Soares me censurou. Esta parte da entrevista não foi para a edição final. Então, eu pergunto: como é que um cara que faz esse papel de liberal vem me censurar? Este é um país assim, em que as pessoas posam de liberais, mas censuram."
(Marcelo Nova)

"É um negócio. Desinformado, desestruturado, sem autenticidade, sem gana, sem garra, sem coração, sem caráter também. Quem faz rock no Brasil, hoje, são as bandas que estão na garagem, aquelas que querem se expressar e são totalmente bloqueadas pela mídia eletrônica. Se esses caras não conseguirem fazer nada, não vão ser os Inimigos do Rei ou Nenhum de Nós que vão fazer, com toda certeza. A que ponto chegou o rock brasileiro...."
(Marcelo Nova, sobre o rock nacional)

"A grande maioria dos artistas vêem a arte como um veículo para atingir objetivos pessoais."
(Marcelo Nova, sobre os artistas que não lutam contra o conformismo)

"Na música, tinhamos como exemplo de popularidade e calor artístico o Renato Russo. Hoje temos o Salgadinho!!"
(Marcelo Nova, sobre a situação atual da música brasileira)

Compacto - 1983
Camisa de Venus – 1983
Batalhões de Estranhos – 1985
EP Remix – 1985
Viva! (ao vivo) – 1986
Correndo o Risco – 1986
Duplo sentido – 1987
Liberou Geral (coletânea) – 1988
Bota pra Fudê (coletânea) – 1990
Plugado (ao vivo) – 1995
Quem é você? – 1996